Daí toca e vou lá buscar o passageiro. São três mocinhas, aparentam
a média dos dezoito anos de idade, sentam juntas no banco de trás. Viagem de
oito quilômetros rumo à vila Madalena. No rádio toca Ana Carolina, pedem que
aumente o volume e cantam acompanhando. Animadas para a baladinha. Nando
Reis também faz sucesso. Zeca Baleiro só uma delas acompanha... no meio da música
a cantora solitária para e conversa comigo, abaixo o volume: "tio, quanto
você cobra para abrir a porta?". Tiro o pé do acelerador e deixo o freio
motor agir: "ãh? Como assim?" Devo ter feito cara de tilt em videogame
antigo: "é tio, abrir a porta pra gente na hora de descer...". Ainda
devo estar com cara de tilt e outra garota explica: "a gente quer dar uma
de bacana na porta da balada!" Eu entendo, desfaço a cara de quem achou
que iriam pular do carro em movimento e começo a rir. "que foi tio?".
Respondo olhando pelo retrovisor: "não vou cobrar nada não, eu abro a
porta para vocês na boa". A do meio faz cara feliz: "valeu tio".
Acelero novamente. No rádio Legião Urbana dá os primeiros acordes, troco a
marcha, elas estão cantarolando Pais & Filhos, aumento o volume. Chegamos
ao endereço de destino. Finalizo a viagem. Celular no painel denuncia o
motorista de aplicativo, tiro e coloco no console. Desço, faço cara de chofer e
abro a porta. As três desembarcam sem agradecer, parecem dondocas esnobes, mas
os olhos sorriem. Acho divertido, mantenho a cara de paisagem, se tivesse um
quepe colocaria embaixo do braço, já vi isso num filme. Olhando em volta, ninguém
prestou atenção em nós, o quarteto fanfarrão, mas saio contente. Na esquina
reposiciono o celular no painel, volto à realidade e vou lá buscar passageiro.
Está tocando a próxima chamada.
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