terça-feira, 15 de maio de 2018

NOVOS BAIANOS TE PODEM CURTIR

Daí toca. Nove minutos até o endereço inicial. "só vou porque estou no rumo, mas vai cancelar" – penso, aceito, abro o navegador. As vias são linhas vermelhas no mapa da cidade, pouco mais de um quilômetro de distância, tudo isso de tempo... "vai cancelar". Entro nas veias abertas da cidade, os primeiros cem metros foi fácil vencer, o caos está ali, virando a esquina. Ônibus, carros, motos, pedestres, bicicletas, todos convivendo em perfeita desunião pelas calçadas, ruas, faixas e canteiros. "Greve de professores" avisa o radialista âncora. "servidores municipais", corrige o colega do Boechat. Eu mudo a sintonia para AlphaFM, a rádio que não compromete a viagem. Toca em todos os elevadores da cidade. Minutos depois recebo mensagem: "cadê você?". Parado é fácil digitar: "na esquina da Timbiras, a caminho". "Estou em frente ao Copan" é a resposta que recebo. Bons minutos depois "está perto?". Estou, mas tenho que dar a volta, se ele andar uns cem metros vai me encontrar. Minha resposta é sugestiva: "parado em frente ao Itália, trânsito complicado". Recebo a resposta: "aguardando na porta do Copan". Mando um 'joinha' e penso novamente que o passageiro vai cancelar. Não cancela, envia outra mensagem: "fala a verdade, você está longe?" estou a uns cem metros, mas preciso dar a volta evitando a contramão, mais de seiscentos metros para chegar em frente ao Edifício Copan. Se ele caminhasse até aqui seria mais rápido... minto para ganhar uns metros: "na São Luís, quase Consolação". "Continuo em frente ao Copan". Não respondo. Uma ambulância complica mais a vida de todo mundo, e não é porque tenta passar, mas porque não desliga a sirene. Metade do meu carro está sobre a calçada quando chega nova mensagem "você está vindo mesmo?". Desde que aceitei a chamada já se passaram dezesseis minutos, deveria ter recusado, agora já gastei combustível, gastei ar condicionado, gastei tempo, gastei paciência minha e do passageiro, gastei buzina. "Se ele cancelar agora... vou lá só pra matar esse passageiro" – só penso, a resposta é simpática: "sim, a Araújo deve estar limpa". Consigo sair do caos e a Rua Araújo realmente está livre, chego rápido em frente ao Copan, paro e entram três pessoas, o homem senta na frente: "estava falando com você e rindo de suas respostas". Eu faço cara de hãã... ele explica: "não sou daqui, nem faço ideia de onde você estava. Aqueles nomes que você escreveu, eram nomes das ruas?". Soteropolitanos famintos, me agradecem pelo ar ligado, a viagem é curta, menos de oito minutos em direção ao restaurante. Hotel sugeriu a eles que não andassem a pé nesta região. Comento que durante o dia não é perigoso e que chegariam muito mais rápido, concordam. No rádio toca Raul. Começam se gabar pela Bahia, Raul era baiano. Desfilo notórios mineiros, lembro o Clube da Esquina, fico me gabando por Minas Gerais. É divertido. Finalizo a viagem e trocamos cinco estrelas. Os passageiros foram agradáveis, mas estou frustrado, a viagem com certeza não deu lucro.

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