Daí toca e vou lá buscar o passageiro. Cabify. Passageiro já mandou as opções na solicitação: ar ligado; 101,7FM; não deseja que eu abra a porta. Ok! Tudo ilusão que passageiro do cabify é um degrau acima. Que a maioria é profissional bem graduado ou mesmo liberal. Que tem mais cultura, que é mais limpinho, diálogos mais elaborados, que não pede balinha. Tudo ilusão. Os passageiros, seja qual for o aplicativo, pedem água, pedem balinha e procuram bom atendimento com preço baixo. Mas é verdade que o usuário de Cabify geralmente entra mudo e sai calado. Cabify não existe pool. Nem pagamento em dinheiro. Cabify seria o paraíso dos motoristas se tocasse chamadas tanto quanto toca no Uber. Não existe mundo perfeito para quem dirige por aplicativo. Waze informa três minutos até o endereço de origem. Ligo o ar no máximo, sintonizo a rádio de preferência e vou. Osvaldo e seu Bandolin embalam o trajeto: “e como um par o vento e a madrugada iluminavam a fada do meu botequim." Na esquina eu preciso fechar o waze para conferir nome do passageiro e número da casa. Bairro residencial. Aproveito e deslizo a barra de "cheguei a local indicado" e fica disponível a barra "iniciar viagem". O endereço some! Paro em frente ao número memorizado. Rádio sintonizado "...e como se não fosse um tempo em que já fosse impróprio se dançar assim.” Ar ligado - temperatura interna agradável. Passageiro sai pelo portão e tenta abrir minha porta. Travada. Não abro. Foi ele que optou por "não abrir a porta". Deu cinco minutos vou embora, o passageiro não conseguiu entrar, eu cancelei e vou receber a taxa mínima. Só imagino esse final. Na verdade destravei a porta, o passageiro entrou mudo, fiz a viagem e ele desceu calado. Nada extraordinário aconteceu, viagens com o Cabify não rende boas histórias. Estou com saudades do povo do pool, daquela gente que faz malabarismo para economizar um real, gente que até chuta o carro! Mas ainda estou com raiva do Uber.
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